Já parou pra pensar que somos quase oito bilhões no mundo? Oito bilhões de pessoas vivendo, lutando, correndo, existindo…Oito bilhões que mal olham pro lado por estarem muito ocupadas. Afinal, o EU prevalece na multidão. Eu preciso de mais dinheiro, de mais coisas, mais oportunidades, mais conforto. Mas só eu; o outro não. E estamos tão acostumados a olhar para o próprio umbigo, que gastar um segundo olhando para o lado pode nos transformar. Na crônica de hoje a jornalista Aline do Valle conta uma experiência que aguçou essa percepção. Acompanhe!

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É difícil ouvir que a gente não se importa com o outro, ou que a gente só olha pro próprio umbigo, não é? Mas você já parou para fazer algo por alguém hoje? Ou está tão absorvido em conseguir um aumento, quem sabe um emprego em que tenha mais destaque, estabilidade, conforto. Mas tudo pra você. Não pro outro. Afinal, de vez em quando a gente dá um dinheiro no semáforo, ou até manda roupas pra algum lugar carente e acha que já cumpriu o dever de bom cidadão.

Mas você sabe, não é assim. Faz pouco tempo que uma amiga me mostrou o que significa se doar por inteiro por alguém. Tive o privilégio de estar com ela no momento do parto que veio carregado de emoções de uma gravidez solitária, foi solitária, cheia de contratempos que podiam ter enfraquecido qualquer pessoa. Mas não a ela.

O que mais me chamou a atenção é que nas horas de maior dor, quando as contrações estavam tão fortes que ela não conseguia nem mesmo respirar, ela falava: “Vem filho. A mamãe te ama muito. Ela está te esperando”. Naquele momento parece que a força voltou . E foi naquela hora que os olhos da minha amiga brilharam de novo. E com uma força que ainda não tinha aparecido, ela foi até o final. Em poucos minutos, o bebê nasceu. Foi um momento lindo. De amor, de êxtase, de vitória!

Todo o esforço não foi por ela, mas por alguém que viria logo, logo. Nesse dia não só a histórias deles dois mudou. A minha também. Percebi que por mais forte que sejamos, sempre precisamos de apoio. Sempre precisaremos de alguém que acredita na gente, que está ali até mesmo para ser duro. Seja essa pessoa conhecida, ou não.

Minha amiga acreditou em mim e me escolheu pra esse momento e, provavelmente, nem tem ideia de que foi ela quem me ajudou. E não o contrário. Por isso, olhe pro lado, olhe pro outro, lembre que somos 2, 3, 10, 1000…quase oito bilhões no planeta e podemos transformar vidas e não apenas tentar viver uma só. Se doar por alguém, faz de nós verdadeiros seres humanos.

Por Aline do Valle

Fonte: Blog da Saúde – Saúde Crônica.

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