O que os pacientes realmente esperam

O que os pacientes realmente esperam

Experiência do Paciente (PX) merece atenção: as mudanças nos modelos financeiros da saúde estão levando a um maior poder de escolha do paciente. Com o aumento da idade da população, os cuidados com a saúde tornam-se uma parte mais regular de nossas vidas, e a tecnologia e inovação tem um papel disruptivo em todos os aspectos da saúde.

Os analistas do The Beryl Institute divulgaram recentemente os resultados das pesquisas que realizaram sobre PX, incluindo grupos focais seguidos por uma pesquisa online com 2.000 consumidores de saúde em cinco países. Em seu relatório, Consumer Perspectives on Patient Experience 2018, revela o que os pacientes realmente querem e porque as empresas de saúde precisam prestar atenção. Eles mostram que, enquanto a indústria da saúde pode até estar preocupada com a qualidade do cuidado e empatia através dos cuidados que prestam aos pacientes, os pacientes estão procurando provedores que, de fato, entendam a humanidade.

PX é importante para praticamente todos

A pesquisa do Instituto Beryl descobriu que mais de 90% dos entrevistados acreditam que PX é importante, com 59% dizendo que é “extremamente importante”. Isso porque, segundo os entrevistados: “minha saúde e bem-estar são importantes para mim.” Embora esse achado não seja surpreendente, os pesquisadores observam que esse dado em si reforça a natureza única e significativa dos cuidados de saúde. A experiência do paciente só se tornará mais importante para mais pessoas à medida que envelhecerem e tiverem mais necessidades de cuidados de saúde.

O PX também é importante porque as expectativas das pessoas foram levantadas em outras áreas de suas vidas, como varejo e hospitalidade. A maioria das organizações de saúde continua a operar com uma abordagem orientada a provedores e pagadores, quando deveriam estar modelando processos de PX seguindo experiências de clientes em outros setores. Mesmo que as pessoas não se considerem clientes em um ambiente de saúde, o Beryl Institute descobriu que os pacientes esperam “uma experiência que os trata de certa maneira e reconhece quem eles são como pessoas no processo”. O Instituto Beryl conclui “As lideranças de saúde seriam ingênuas em pensar que eles não estão sendo comparados com as outras experiências que as pessoas estão tendo.”

O que os pacientes realmente querem

Os pesquisadores queriam entender o que o PX realmente significa para os consumidores de saúde, então perguntaram aos entrevistados em que medida eles acreditavam que várias áreas faziam parte da experiência do paciente e o que era importante para eles. Eles descobriram que a definição de PX das pessoas representa a natureza integrada de um encontro de saúde. É a soma de todas as interações que alguém tem em toda a continuidade do atendimento, “através de pontos de contato e transições, em qualidade, segurança e esforços de serviço, nas implicações de custo e na questão do acesso”, informa o Instituto Beryl.

O aspecto mais importante de ter uma boa PX, eles descobriram, é que as pessoas que cuidam “escutam você”, com 71% dizendo que isso é “extremamente importante” e 24% mais dizendo que é “muito importante”. “Comunicar-se claramente de uma maneira que você possa entender” e “tratá-lo com cortesia e respeito” também foram avaliados em 95% como extremamente ou muito importantes. Isso sugere que ser tratado como pessoa é a maior prioridade para os pacientes.

Os outros aspectos que foram classificados como altamente importantes para os profissionais de saúde, como “Dar confiança em suas habilidades”, “Levar sua dor a sério” e “Fornecer um plano claro de cuidado e razões para as suas ações”, reforçam a importância da conexão pessoal e humana em PX. Também “um ambiente de saúde que seja limpo e confortável”, “a capacidade de agendar uma consulta ou procedimento dentro de um período de tempo razoável” e “um processo de alta/próximas etapas do tratamento sejam claramente explicadas”, foram classificados em alta importância.

Pacientes querem ver compaixão e empatia em ação

Juntos, esses motivadores de PX fazem uma distinção sobre o que as organizações de saúde devem abordar, diz o Instituto Beryl. Eles observam que “o uso da linguagem usada na saúde, como ‘centrada no paciente’, onde a terminologia e a prática parecem representar uma visão de dentro para fora, ou seja, as organizações de saúde dizem que devem ser centradas no paciente ou fornecer empatia e compaixão, mas o que os consumidores querem são as ações tangíveis que exemplificam essas práticas”. De fato,“ expressar empatia e compaixão ”foi classificada como de menor importância (84%). Isso indica claramente que as pessoas não querem que os profissionais de saúde digam que são compassivos ou compreensivos, querem que os profissionais de saúde escutem e ajam de maneira a demonstrar claramente que se importam e compreendem.

As organizações de saúde também devem observar que mais de dois terços dos entrevistados classificaram aspectos muito ou extremamente importantes do ambiente, incluindo “uma unidade de saúde na qual você pode encontrar o caminho facilmente (por exemplo, sinalização clara, informações etc.)” e “um serviço de saúde que ofereça estacionamento”. Isso reforça o fato de que as pessoas esperam dos serviços de saúde o mesmo nível de desempenho de suas experiencias em outros lugares – e esses pontos contribuem para uma PX que realmente atende às necessidades dos pacientes.

PX Importa

O Instituto Beryl perguntou às pessoas o que elas ou alguém que conheciam, tiveram como atitude frente a uma experiência de cuidados de saúde positivos e negativos. Para experiências positivas, 73% – a porcentagem mais alta – responderam que “continuariam a usar o mesmo médico ou organização”. Isso sugere que o PX tem o potencial de aumentar a lealdade e influenciar a escolha do paciente.

A principal ação relatada após uma experiência negativa (76%) foi que as pessoas disseram que contariam aos outros – isso superou em muito as outras opções de resposta para uma experiência negativa, e é semelhante à porcentagem de pessoas que dizem compartilhar com os outros sobre uma experiência positiva (70%). Juntos, esses resultados indicam que as pessoas estão contando as histórias sobre sua experiência, boas ou ruins, em pelo menos 7 de cada 10 encontros de atendimento médico. O Instituto Beryl conclui: “Esta talvez seja uma das oportunidades de marca mais significativas para as organizações de saúde hoje … As organizações de saúde deveriam estar se perguntando: ‘Qual é a história que procuramos criar na experiência que fornecemos e o que queremos que os outros digam sobre nós?”

Conclusão

O relatório do Beryl Institute inclui outros insights sobre como as pessoas visualizam a experiência do paciente, incluindo diferenças e semelhanças entre os entrevistados de diferentes gerações e de diferentes países. A conclusão geral de todas as descobertas, no entanto, volta-se para a necessidade de as organizações de saúde entenderem que as pessoas não são apenas participantes passivos em uma transação de cuidados ou simplesmente recebedores de cuidados, e não querem ser tratadas como tal. Ao contrário, os pesquisadores dizem que os pacientes são “parceiros em uma conversa de cuidado, que devem ser reconhecidos e cuidados como pessoas em uma experiência de saúde”. Entender isso e projetar essa experiência requer uma mudança fundamental de mentalidade entre os provedores de saúde.

Segundo o The Beryl Institute: “A experiência não é algo a ser dado como garantido, não é apenas uma ideia nas bordas mais suaves da saúde, mas sim no coração e tem impacto significativo e implicações sérias para como a saúde será levada para o futuro. ”

Fonte: Saúde Business

Estudo mostra ligação entre álcool e suicídio

Estudo mostra ligação entre álcool e suicídio

Um estudo feito pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) divulgado este ano em um jornal científico reforçou a ligação entre o consumo de álcool e o suicídio. Foram analisados 1,7 mil casos na cidade de São Paulo entre 2011 e 2015 a partir de exames toxicológicos e mais de 30% das vítimas apresentavam diferentes concentrações de teor alcoólico no sangue.

Entre os homens essa porcentagem chegou a 34,7%. A maior parte dos analisados 49% corresponde a adultos jovens, com idade entre 25 e 44 anos. Dentro dessa faixa etária mais de 61% apresentavam álcool no sangue.

Desde 2012 a taxa de suicídio em brasileiros de 15 a 29 anos subiu quase 10% de acordo com a edição de 2010 do Mapa da Violência, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda causa mundial de mortes entre pessoas dessa faixa etária – mais de 90% estão ligados a distúrbios mentais.

Segundo o psiquiatra Teng Chei Tung, coordenador dos Serviços de Pronto-Socorro e Interconsultas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, sob efeito do álcool as pessoas podem apresentar diminuição da capacidade de julgamento, do senso crítico e do autocontrole, assim como tendem a adotar comportamentos agressivos. Esse efeito pode ser ainda maior entre os adolescentes.

“O cérebro do adolescente ainda está em desenvolvimento e os efeitos do álcool são mais nocivos nessa idade, com impacto ainda maior sobre a tomada de decisões e o autocontrole. Estamos falando de uma faixa etária em que o imediatismo é mais evidente e a exposição ao álcool pode ser mais perigosa quando pensamos no risco para o suicídio”, explicou.

De acordo com Tung, é possível desenvolver programas educativos sobre o consumo de drogas e álcool entre os jovens, mas é preciso lembrar que há outros fatores que também merecem atenção como o bullying e transtornos psiquiátricos, como a depressão. “É importante lembrar que um transtorno mental como a depressão pode alterar a percepção que o indivíduo tem da realidade. Por isso, os casos de suicídio não devem ser encarados como expressão do livre-arbítrio.”

Campanha digital

No próximo mês será lançada a campanha digital #SAIADASOMBRA, para contribuir para as atividades educativas da campanha global Setembro Amarelo, que tem como foco o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado no próximo dia 10. A mensagem será lançada em forma de vídeo nas redes sociais com o objetivo de atingir os mais jovens. A campanha é feita em parceria com o Centro de Valorização à Vida (CVV) e o laboratório Pfizer.

“O objetivo desta vez é focar nos adolescentes e jovens que apresentam sinais de alerta em relação à depressão e à possibilidade de cometer suicídio num prazo próximo ou mediano. Nossa intenção é alertar, trazer informação e levar as pessoas a poder identificar esses sinais e, em seguida, ajudar, seja pessoalmente ou encaminhando para um profissional adequado”, disse o diretor médico da Pfizer, Eurico Correia.

Segundo ele, as pessoas que têm sinais ou sintomas depressivos têm um sofrimento inerente à doença e à condição clínica pela qual estão passando. “É importante lembrar que as pessoas que têm depressão, de alguma maneira, estão sofrendo e, para algumas delas, a saída para esse sofrimento é o suicídio. Vamos ter isso em mente e reconhecer que há mitos que envolvem a doença”.

Correia ressaltou que é necessário ainda eliminar a ideia de que suicídio é uma consequência natural de uma série de situações na vida da pessoa. “Mais de 90% das pessoas que se suicidaram ou tentaram tem alguma doença envolvida. Não é questão meramente comportamental. Essa é uma das mensagens mais importantes: é uma morte evitável. Essa pessoa que tentou ou cometeu suicídio não precisava ter feito isso se a gente ouvisse, visse e desse atenção”, completou.

O presidente do CVV, Robert Paris, destacou que a entidade criou um serviço via chat com o intuito de atrair jovens. Segundo ele, a adesão desse público foi rápida. “Um dado que nos chamou muito a atenção é que no atendimento em geral cerca de 5% a 10% das pessoas manifestam intenção ou planejamento para o suicídio. Parece pouco, mas se pensarmos que temos 3 milhões de contatos por ano, isso significa um número de pessoas em alto risco e que, felizmente, estão pedindo ajuda de alguma maneira”.

Paris disse ainda que entre aqueles de 15 a 29 anos, a taxa dos que mostram planejamento ou intenção para suicídio é de 50%. “O jovem fala abertamente sobre isso. Ele pede ajuda e demonstra seu desespero. O problema é grave, estamos cada vez mais buscando voluntários para atender em todos os nossos meios de apoio, mas especificamente nesse. E buscamos trazer voluntários mais jovens.

Mudanças bruscas de personalidade, alterações no desempenho escolar ou no trabalho podem ser sinais de que a pessoa sofre de algum transtorno que pode levar ao suicídio. Perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, isolamento familiar ou social, pessimismo, perda ou ganho inesperado de peso, frequência de comentários autodepreciativos ou sobre morte, ou a doação de pertences que antes o indivíduo valorizava também são sinais que devem ser notados.

Fonte: Anahp

Atendimento em rede pública no exterior

Atendimento em rede pública no exterior

Quantidade de certificados emitidos cresceu 329% nos últimos 5 anos. Número já ultrapassou os 40 mil, só neste primeiro semestre

Você sabia que os brasileiros que tiverem como destino Portugal, Itália e Cabo Verde têm direito ao atendimento médico nos sistemas da rede pública de saúde desses países? Isso acontece devido aos Acordos Multilaterais e Bilaterais entre o Brasil e esses três países. O acesso é garantido por meio do Certificado de Direito à Assistência Médica – CDAM, que pode ser solicitado nos núcleos estaduais e na sede do Ministério da Saúde, em Brasília. Nos últimos cinco anos, a retirada do CDAM por brasileiros cresceu 329%, passando de 10.868 certificados emitidos para 46.687.

O CDAM garante ao viajante atendimento nos hospitais públicos das respectivas nações como se fosse cidadão local. Pode requerer o documento o viajante nascido no país, naturalizado ou estrangeiro residente no Brasil e que esteja contribuindo com a Previdência Social. A medida se restringe aos serviços públicos de saúde.  Ou seja, se nesses países, os nativos pagarem por um procedimento hospitalar, o brasileiro também deverá pagar em igual característica. Da mesma forma, os procedimentos gratuitos aos nativos também serão gratuitos aos brasileiros portadores do CDAM.

No Brasil, no primeiro semestre deste ano, já foram emitidos 40.753 CDAM’s. Nos últimos anos, muitos brasileiros já emitiram o certificado. A retirada deste documento no país teve alta de 329% nos últimos cinco anos, saltando de 10.868 para 46.687 certificados emitidos.

SAIBA COMO TER ACESSO AO CDAM

Para ter acesso ao CDAM na Itália e em Cabo Verde, os aposentados e pensionistas, celetistas, empregadores, empregados domésticos, autônomos, avulsos e temporários têm que contribuírem com a Previdência Social (INSS), além de seus dependentes (menores de 21 anos) e cônjuges. Já em Portugal, todo brasileiro tem direito de obter, independente da contribuição ao Instituto de Seguridade. O certificado é emitido, independente do motivo da viagem (turismo ou estudo, por exemplo), ou do tempo de duração.

O CDAM tem validade de um ano, para qualquer país, podendo ser renovado quantas vezes for necessário. Para a retirada do certificado, o Ministério da Saúde solicita os seguintes documentos: RG; CPF; passaporte; e comprovante de residência brasileiro. Já para Itália e Cabo Verde, além da documentação citada, exige-se a comprovação do vínculo com o INSS. A solicitação deve ser feita presencialmente em qualquer um dos Núcleos Estaduais do Ministério da Saúde, localizados nas capitais dos estados brasileiros.

Vale lembrar que o certificado não substitui o seguro internacional particular de saúde. Não garante, também, transporte de corpo, nem translado para onde o portador do certificado deseja atendimento, bem como qualquer tipo de ressarcimento de valores eventualmente cobrados dos clientes quando em território estrangeiro.

SAÚDE DO VIAJANTE

Para que você tenha uma ótima viagem, seja qual for o seu destino, e leve de volta para casa, apenas boas recordações, o Ministério da Saúde dispõe de dicas práticas e informações essenciais que vão ajudar a proteger a saúde do viajante e tornar as viagens mais agradáveis e tranquilas. No portal do Ministério da Saúde, na página Saúde do Viajante, o internauta poderá ter acesso às informações para ajudar no planejamento de quem pretende passar um tempo fora de casa ou do país. O portal apresenta orientações para preparação, durante e pós-viagem, tanto para brasileiros no exterior como para estrangeiros que viajam pelo Brasil.

Neste site há uma série de cuidados gerais que as pessoas devem seguir antes da viagem e no destino. Dentre as orientações está procurar um médico, entre quatro e oito semanas antes de viajar, para solicitar informações sobre cuidados de prevenção de doenças e lesões. Já quem precisa fazer uso de medicamentos durante a viagem deve portar a prescrição médica e levar a quantidade suficiente para todo o período. Se interessou? Navegue pelo portal e veja todas as dicas. Proteger a saúde é fundamental para ter uma viagem saudável e tranquila.

Por Victor Maciel, da Agência Saúde

Fonte: Portal do Ministério da Saúde

Whatsapp da Saúde: Sem fake news

Whatsapp da Saúde: Sem fake news

A partir de segunda, quem receber uma notícia suspeita de saúde pelas redes sociais terá um novo canal para tirar dúvidas sobre a veracidade das informações. É o “Saúde sem fake news”, um canal no WhatsApp criado pelo Ministério da Saúde, que possibilitará à população consultar se a notícia que recebeu é verdadeira ou falsa. O número é o (61) 99289-4640.

Fonte: Capitólio Consulting

A transformação digital na área da saúde

A transformação digital na área da saúde

Como em outros segmentos, o limite entre a inovação tecnológica e a ética médica preocupa profissionais que atuam na área, nem sempre preparados para agir quando o assunto é a privacidade de dados, como constataram especialistas no Summit Saúde. “Estamos no furor da transformação digital da  saúde, na prática médica e na gestão, mas essa transformação tem implicações éticas que precisamos considerar e respeitar”, disse Reinaldo de Oliveira, professor de Bioética da Faculdade de Medicina da USP.

Para ele, embora no meio digital exista grande facilidade para troca de informações, a privacidade de dados dos pacientes deve estar sempre em primeiro lugar, pois a assimilação de novas ferramentas e tecnologias não pode alterar os princípios éticos que regem a conduta dos profissionais da área. O professor acredita que, atualmente, existe um processo emancipatório em relação ao paciente e sua saúde, facilitado pelo uso de novas tecnologias. “O consentimento consciente dá ao paciente a possibilidade de traçar com o médico suas diretivas, com autonomia, princípio importante que deve ser respeitado.”

Ainda que não haja sigilo absoluto nos meios digitais, os especialistas afirmaram que é preciso saber diferenciar compartilhamento de conhecimento de quebra de sigilo. Marcelo Felix, responsável pela estratégia digital em saúde do Hospital Albert Einstein, acredita que as tecnologias digitais são recursos importantes para a gestão da saúde, mas podem tornar mais fácil a exposição de pacientes. “Devemos sempre nos questionar até que ponto um dado divulgado cria conhecimento e, no ambiente hospitalar, manter atenção ao maior fator de proteção de dados, que é o comportamento de funcionários e pacientes”.

Fábio Tiepolo, fundador da Docway, startup que desenvolveu um aplicativo para agenda de consultas e exames em domicílio, disse que a conexão entre médicos e pacientes, mesmo quando fora do ambiente hospitalar, deve considerar preceitos éticos da Medicina. “O uso dessa tecnologia já foi regulamentado, mas a responsabilidade quanto ao sigilo precisa ser dividida entre todos os usuários.”

“Assim como os bancos mudaram o conceito de atendimento, com caixas eletrônicos e internet banking, o setor de saúde seguirá o caminho do atendimento conectado”, afirmou o especialista em tecnologia na área da saúde Chao Lung Wen, da Faculdade de Medicina da USP. Para isso, ele acredita ser preciso criar uma consciência social entre os profissionais da saúde, com base nos melhores comportamentos, e reforçar a importância de ética e responsabilidade na formação dos médicos e profissionais de saúde. “A área de saúde e medicina é dispersa e vulnerável e não há segurança perfeita. Se falta de cuidado ou prevenção é negligência, é preciso deixar claro que apropriação e uso indevido de dados é crime.”

Autor: Samuel Antenor

Referência: Estado de São Paulo

Fonte: Capitólio Consulting

Estudo alerta sobre cigarros eletrônicos

Estudo alerta sobre cigarros eletrônicos

Os cigarros eletrônicos são apresentados como uma opção mais segura aos fumantes, mas um novo estudo, publicado esta semana no periódico “Thorax”, revela que eles podem ser mais danosos do que se pensava. Segundo análise de pesquisadores da Universidade de Birmingham, o vapor produzido por esses dispositivos aumenta a produção de químicos inflamatórios e desativa células que protegem o pulmão.

Três em cada cinco pessoas que experimentam cigarros se tornam fumantes diárias

— Eu não acredito que os cigarros eletrônicos sejam mais danosos que os tradicionais — afirmou o professor David Thickett, líder das pesquisas. — Mas nós devemos ser céticos de que eles sejam tão seguros quanto estamos sendo levados a acreditar.

Esses dispositivos eletrônicos usam o calor para vaporizar um líquido, e os fumantes inalam o vapor, em vez da fumaça. Normalmente, os fluidos possuem glicerina, aromatizantes e a viciante nicotina, presente no tabaco. Até então, os estudos se concentravam na composição química dos líquidos, antes da vaporização. Em geral, as análises indicam que eles são menos perigosos que os cigarros tradicionais, mas também possuem substâncias danosas, como o aromatizante diacetilo e metais, como o chumbo.

Efeitos do Vapor

No novo estudo, os cientistas focaram nos efeitos do vapor sobre os tecidos pulmonares. Eles extraíram macrófagos alveolares — células presentes nos pulmões que destroem elementos estranhos ao corpo — de tecidos pulmonares fornecidos por oito pessoas que nunca fumaram, nem tiveram asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica.

Para avaliar o efeito do aquecimento do fluido, eles criaram uma técnica para imitar o fumo e condensaram o vapor. Uma parte das células foi exposta a esse material condensado; outra parte, ao líquido antes de ser usado nos cigarros eletrônicos; e uma terceira parte foi mantida como controle. Os resultados mostraram que o condensado foi significativamente mais danoso às células que o líquido, e que os efeitos pioravam com doses maiores. E também foi notado um aumento na produção de químicos inflamatórios.

“A exposição dos macrófagos ao vapor condensado induziu muitas das mesmas alterações celulares e funcionais vistas em fumantes de cigarros e em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica”, concluíram os pesquisadores.

Thickett destacou que muitas empresas de cigarros eletrônicos estão sendo compradas por gigantes do tabaco e “certamente existe uma campanha para apresentar os cigarros eletrônicos como seguros”. Segundo Thickett, os cigarros eletrônicos são mais seguros que os tradicionais, mas isso não significa que eles não produzam danos no longo prazo, até porque estudos desse tipo ainda não puderam ser realizados.

— Em termos de moléculas causadoras de câncer na fumaça do cigarro, comparando com o vapor, certamente existe uma redução no número de substâncias carcinogênicas — afirmou Thickett. — Os cigarros eletrônicos são mais seguros em termos de risco de câncer, mas se você usar por 20 ou 30 anos, podem causar doença pulmonar obstrutiva crônica. Isso é algo que as pessoas devem saber.

Referência: Globo Online

Fonte: Anahp